segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O CRAVO E A ROSA

Era uma vêz um cravo mirradinho e feio,
Que entre flores não se faz notar,
Sem brilho, sem aroma e, no entanto veio,
Da rosa mais formosa se enamorar.
Era uma rosa esplendorosa e bela,
Rainha do jardim, de brilho singular.
Tão cheia de orgulho, pois somente ela,
Se achava no direito de ali reinar.
Porém um dia o cravo se encheu de alento,
E disse a rosa sem pestanejar:
Oh linda rosa extingue meu tormento,
Não sabes que desejo apenas te adorar?
Num riso de desdém, a flor tão orgulhosa,
Responde ao cravo sem sequér olhar,
Eu sou mimosa, tu és feio e prosa,
Como pretendes me poder amar?
Prá ter meu coração somente é factível,
Alguém tão majestoso que é impossível,
Que eu vá neste planeta encontrar.
Que seja eterno-amor, ao qual me abandono,
E a quem eternamente eu terei por dono,
Vê se te enxerga, não vem me amolar.
Quedou-se o cravo, cabisbaixo, triste.
No entanto,  o tempo a passar petrificou,
O cravo solitário, mas que amar insiste,
Soberba rosa que a ninguém amou.
Vivemos nós humanos história parecida,
Amar sem esperança amarga nossa vida.
Parece que os reveses que abalam a razão,
Se sucedem sem cessar, iludindo o coração.
Nós os buscamos afoitos  no desejo incontido,
Que a indiferença se transforme no amor querido.
E o tempo que transcorre implacável e devorador,
Põe ao lado de cada alegria, o dobro em tormento e dor.





Nenhum comentário:

Postar um comentário