segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Minhas convicções.

Contudo meu posicionamento é um pouco divergente do seu. Ao longo da minha vida (66 anos), sempre busquei o conhecimento tanto através dos livros quanto a frequencia aos templos onde se propalava serem o único e verdadeiro caminho da salvação.
Nasci e permaneci católico até os quarenta anos de idade. Nessa época era frequentador de missas e cerimônias, e foi quando comecei a ler a bíblia por recomendação de Frei Quirino da paróquia N. S. da Boa Morte. Como consequencia passei a pensar. Não dizem ” conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” ?
Pois é, se antes eu considerava o livro como sagrado e de origem divina, passei a ter uma idéia diferente, pois ao le-lo como leria qualquer outro livro, comecei a ver tanta contradiçao, tantos absurdos, tanta maldade, que sinceramente o primeiro impulso foi a sua completa rejeição.
Entretanto, tirando o seu caráter divino, resta-nos um livro de valor histórico, nem sempre fiel, mas que retrata em épocas diversas, civilizações passadas com suas culturas, hábitos e costumes.
Nas minhas pesquisas iavé imprevisivel, egoista e neurótico era o deus cananeu da guerra, e isso se traduzia em sede de sangue e massacres contínuos, incompatibilizando-o de ser o Deus de Amor Bondade e misericórdia tão propalado pelas religiões que se fundamentam no referido livro.
Talvez essa ênfase seja uma tentativa de mostrar que aquele povo que se dizia escolhido, que tinha um único e verdadeiro deus, que pretendia ser o centro do mundo, vencedor de todas as batalhas contra todos os outros povos, era o escolhido de iavé para governar o planeta, centro do universo e escabelo desse deus.
Baldado intento, já que pesquisas históricas nos mostraram que a palestina daquele tempo nada mais era do que uma região habitada por povos pastoris incultos ignorantes e atrazados, e sua importância era insignificante no contexto das nações poderosas daquele tempo. Na verdade constituia um estado tampão, uma terra de ninguém a separar as potencias guerreiras da época. Era atravessada ao bel prazer de egípcios, babilônios e hititas para se digladiarem.
Então o pouco que sobra da biblia tirando sua historicidade é o fato de que Jesus um insurgente palestino tenha inaugurado uma nova era para a humanidade, ao declarar que o verdadeiro deus, era diferente, e que o amor era o sentimento que deveria prevalecer no coração do homem. Que todos os homens são irmãos e que ninguem jamais havia visto a Deus, o que nos leva a crer que ele não é uma pessoa, mas uma energia criativa, poderosa e que ainda não temos condições de compreender. Busquei outra religiões, seitas, fui esóterico, maçom e rosacruz. Se tiver de escolher uma religião, serei espírita, pois foi a mais coerente com os ensinos de Jesus, muito embora seus evangelhos foram ao longo do tempo modificados e distorcidos, e junto aos demais livros que compõe a biblia, são usados indiscriminadamente pelas religiões que se dizem cristãs para se enriquecerem a custa de seus adeptos, esquecidos de que a própria biblia nos indica o caminho correto. Ao ser indagado sobre qual religião era verdadeira, já naquela época Tiago disse: A religião pura e imaculada para com Deus nosso Senhor é: socorrer os orfãos e as viúvas nas suas tribulações e abster-se de iniquidades. Por este motivo não frequento igrejas, mas cultivo no coração o sentimento do amor e procuro sempre que possível ser útil, fraterno e compreensível para com meu próximo, pois creio firmemente na existência dessa Força Poderosa que tudo criou, e sustenta com inimaginável perfeição, e que por falta de conhecimento denomino simplesmente Deus.
Creio na evolução das espécies e na reencarnação onde progredimos em espírito, e que a vida existe tanto neste planeta minúsculo onde moramos até os confins do universo nos seus incontilhões de galáxias, testemunhas mudas desse poder e que nas noites estreladas contemplamos extasiados.
Minha convicção é baseada no pressupossto de que o nada nada pode produzir, e se algo existe é por que alguem o produziu. E olhe que nada menciono a respeito de experiências transcendentais ocorridas ao longo de minha existência e que muito pesaram para o estabelecimento de minhas atuais convicções. Como vê, não divergimos completamente não é mesmo?

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