segunda-feira, 7 de setembro de 2015

AH, SE EU PUDESSE

Ah, se eu pudesse perceber,
Um brilho diferente em teu olhar quando me visses.
Uma doce musicalidade em teu falar,
Quando a mim te dirigisses.
Um toque mais suave de tuas mãos queridas,
Ao me lembrar das horas de recolhimento e oração.
Se tua alma por um instante me dissesse: amado.
Eu exultaria em ser teu fiel escravo,
E a teus pés acorrentado, te proclamaria deusa,
E te serviria por toda a eternidade.
Ah, se tu gostasses de mim, como te gosto,
A sentir de perto dor e de longe saudade.
Se apreciasses minha presença,
Como eu me inebrio com teu cheiro.
Se me olhasses por um segundo,
Da maneira como te devoro por inteiro.
Meu mundo seria mais alegre.
Meu céu seria mais azul.
Meu jardim seria mais florido.
E nas flores de minh'alma,
Haveriam beija-flores,
E lindas borboletas multicores.
A brisa fresca nos acariciaria,
Em arpejos de doce harmonia.
E numa leveza sem par,
Minh'alma se elevaria,
E no portal do infinito colheria,
Uma estrela para enfeitar,
O teu recanto de amor e paz.
Ah, se eu pudesse mudar a roda do destino,
Eu seria um menestrel a te entoar louvores,
A teus pés eu me faria apequenino,
No doce embalo de teus braços sedutores.
Ah, se eu pudesse.


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