sábado, 26 de dezembro de 2009

TEUS OLHOS

Olho para o céu e vejo admirado,

Que embora de estrelas constelado,

Com milhões de astros a brilhar.

Não tem a claridade que é produzida,

Nos olhos tão bonitos que a vida,

Colocou em teu rosto a cintilar.

MODOS DE VER A VIDA

A vida é indefinida e vaga,
Obscura, ínfima, estúpida ação,
A vida é ingente, é fruto d'uma rasga,
Estéril de emoção, sinistra confusão.


A vida é um rastejar de vermes,
Em corpos podres pela essência humana,
A vida é mito surto de imberbes,
É podridão gerada em mente insana.


Assim eu já pensava, desvairado,
Num assomo de fúria reprimida,
E furibundo esbravejava contra a vida,
Por nela tanto engano ter provado.


Sofri, chorei em dores de agonia,
Mas pude perceber que o sofrimento,
De amor frustrado, dura um só momento,
E vai se esvaindo um pouco a cada dia.


E nessa efemericidade que é o sentimento,
Se surge um novo amor a coisa muda,
Onde era mal, somente o bem transuda,
E o coração sorri alegremente.


Quanto erro, desengano, quanto espinho,
Noss'alma acolhe assim e, irrefletida,
Transforma o bem em mal, culpando a vida,
pelas desditas que buscou em seu caminho.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

MENSAGEM DE NATAL

Dois milênios já se passaram, desde que entre nós se encarnou o Príncipe da Paz.
Na pobreza e humildade, desconcertou os poderosos pela extrema simplicidade e pujante sabedoria.
Não fundou religiões, seitas ou ideologias.
Viveu apenas o amor em toda sua plenitude, legando à humanidade através do seu Evangelho, o caminho da redenção.
Vamos pois, não somente nesta data, mas durante todo o novo ano que breve se inicia, reverenciar sua memória
no campo do amor e da fraternidade, na oração e no trabalho, jamais no luxo e na opulência.
Feliz natal.

domingo, 11 de outubro de 2009

P A Z

Quem não deseja ter no coração,
O sentimento de paz e de conforto,
Ser como o náuta em seguro porto,
Que o barco atraca sem perturbação?


Quem não deseja calma e alegria,
Viver tranquilo sem a correria,
Em seu recanto flóreo meditar,
Em mar de rosas a vida levar?


Se queres a bonança em teu caminho,
Tenha cuidado em dar o teu carinho,
A quem comungue com o teu pensar.


Porque amor nem sempre é sentimento,
De alegre paz, as vezes é tormento,
É dor que faz o coração sangrar.

ACORDO BRASIL-VATICANO

Se o Brasil é realmente laico, por que a qualquer pretexto nossas dignas autoridades, solícitas e subservientes, mandam celebrar missas e ofícios religiosos e, pasmem ministrados por um representante de um estado estrangeiro?


Sim, pois padres, arcebispos, cardeais e núncios apostólicos são representantes e dignitários do vaticano, um estado estrangeiro, o que por si só justificaria um tratamento igualitário, com os direitos, obrigações e restrições concedido aos demais estrangeiros dentro do território brasileiro.


Não sou contra a existência das religiões, mas a favor da igualdade de oportunidades entre todas. Se se efetua um culto pretensamente ecumênico, poderemos observar que o papel principal é conferido a um sacerdote da igreja romana, coadjuvado por um pastor de alguma igreja reformada tradicional, à custa do erário público, e nada mais.


Se o culto é ecumênico pressupõe a presença de padres, pastores, espíritas, umbandistas, budistas e até mesmo fetichistas e quimbandistas, pois desde que haja cidadão brasileiro seguidor de qualquer crença, ele tem o direito de ser representado por um sacerdote de sua religião, sob pena do ato ser considerado preconceituoso e, por conseguinte crime previsto na nossa constituição.
Em minha opinião, que julgo seja a da maioria da população esclarecida de nosso país, laicidade e cerimônias religiosas são incompatíveis, e não deveriam acontecer.



Mas se insistem em fazê-las, então o correto seria que todas as correntes religiosas estivessem presentes, e obviamente também haveria um representante devidamente qualificado dos ateus, dos maçons, dos rosacruzes e até mesmo dos satanistas.


Ah, e não podemos nos esquecer da pitoresca figura do INRI Cristo, e de suas adoráveis seguidoras não é mesmo?


Entretanto nossos governantes que deveriam ter o bom senso e a compostura de se desvincularem das religiões durante o período em que exercem cargos publicos, parecem se esquecer de que representam todas as correntes e nenhuma pode ser privilegiada, em detrimento das demais.


E olhe que este deslize inconstitucional, não ocorre somente no âmbito do executivo, mas também no legislativo e no judiciário.Lamentável, tristemente lamentável.
Quanto a direitos especiais, a Igreja Romana não tem do que reclamar, pois desde o descobrimento de nosso País, ela tem usufruído de privilégios e benefícios normalmente negados às demais.



Alguém já viu uma escola religiosa católica gratuita ou que cobre mensalidades acessíveis às camadas sociais carentes?


Nas décadas de 50 e 60 fui aluno de colégio salesiano e ali havia duas categorias distintas: a dos alunos pagantes e a dos aprendizes.


Os primeiros dispunham de atenção e privilégios, os segundos se estudavam, também aprendiam um ofício, mas trabalhavam nas oficinas da escola e o produto de seu trabalho era vendido e revertia em favor do estabelecimento.


Não davam lucro, por este motivo tal categoria foi extinta, bem como o internato, pois os dormitórios e oficinas convertidos em salas de aula rendiam muitíssimo mais.


Em minha cidade, Cuiabá-MT, o patrimônio da igreja compreende terrenos enormes a ela doados na área central urbana e onde se encontram os maiores estabelecimentos de ensino secundário e o palácio do arcebispo.


E as igrejas são mantidas, conservadas e restauradas pelo poder público sob a inconsistente alegação de patrimônio cultural ou algo que o valha.


Entretanto, em última análise ela ainda é mais útil e produtiva dos que as igrejas e seitas evangélicas que enxameiam como pragas com seus templos gigantescos e sua monumental ganância no saque a seus adeptos.


Entretanto nada justifica benesses a nenhuma delas, pois num estado laico os recursos devem ser direcionados exclusivamente ao atendimento das áreas sociais, mormente educação, saúde e segurança.


Nelas reina o caos, pois os professores são muito mal pagos e os prédios escolares sujos e estragados.


Na saúde é um Deus nos acuda, seus profissionais são poucos e mal remunerados , os hospitais, os postos e as policlínicas estão sucateados e faltam desde aparelhos até medicamentos, enquanto o povo que deles depende, amarga filas monstruosas na espera de um atendimento, e as vezes morre antes de ser atendido.


Recentemente, ante o descaso do Poder público Municipal, a maioria dos médicos que atendiam no Pronto Socorro de Cuiabá e nos Postos de saúde, simplesmente cansados de seus baixos salários e das péssimas condições de trabalho, estão se demitindo em massa.


Quanto a segurança todos sabem perfeitamente o descalabro que se abateu sobre a sociedade onde leis foram feitas para a proteção e amparo de delinqüentes, ao arrepio da vontade popular e sem que a mesma fosse consultada.


O salário mínimo percebido pela maioria dos trabalhadores é inconstitucional, pois mal e porcamente possibilita a sobrevivência das famílias que dele dependem.


E aí sob os bastidores, acólitos de uma potência multinacional querem lhe perpetuar e acrescentar benefícios que, nem mesmo às nacionais deveriam ser proporcionados, vez que o estado é laico.


Aliás, péssimo exemplo nos é dado pelos legisladores que vergonhosamente pouco produzem e excessivamente gastam, e cujo espírito corporativo impede a punição dos infratores e , que se autoconcedem privilégios a que o povo nunca fará jus, como salários altíssimos e ajudas de toda espécie.


No senado até plano de saúde vitalício familiar se arrogaram.


Não que corruptos e incapazes sejam todos, há raras e honrosas exceções a exemplo dos íntegros senadores Magno Malta, Pedro Simon, Cristovão Buarque e outros, que realmente laboram, mas são poucos e o Brasil seria muito beneficiado se fosse adotado o sistema unicameral e, a diferença orçamentária oriunda do legislativo, juntamente com o destinado às igrejas fossem encaminhados ao INSS à benefício dos nossos aposentados.


Isto sim seria o desejável e, por ele devemos lutar e mobilizar a opinião do nosso povo, tão sofrido, e escorchado por altos impostos, taxas e tributos e detentor da mais perversa distribuição de renda do planeta, como apregoa um conhecido político em sua propaganda eleitoral.


sábado, 10 de outubro de 2009

VERSOS ESPARSOS

Olhas lá fora e dizes:
Amanhece a chover.
Não amada, não é chuva,
São as águas do meus olhos,
Que estão por ti a correr.


X-X-X


Elegância, beleza, simplicidade,
São os atributos teus,
Mais perfeitos em verdade,
Somente os anjos de Deus


x-x-x


A rosa cativa que levas,
Em tuas mãos ao desfilar,
Morre de inveja do brilho
Que existe em teu olhar.


x-x-x


Nos meandros desta vida,
Em verdade é frequente,
A gente gostar demais,
De quem não gosta da gente.

AINDA O SENADO

Oceano de irregularidades e falcatruas, nosso Senado Federal, tem sido o principal alvo de nossos idôneos jornalistas. Também pudera, jamais tanto se fez em demérito da pátria, quanto vemos no Senado. Vozes já clamam nos quatro cantos da nação pedindo sua sumária extinção, e a exceção de poucos e corajosos homens de bem, o restante efetivamente, nada produz de útil, e sua principal preocupação, além dos gastos estratosféricos é tentar justificar sua utilidade.

A bem da verdade, a renca de escândalos, o corporativismo, e o nepotismo descaradamente efetuado ao arrepio da lei, são a marca registrada da índole dos antigos coronéis, que simplesmente transferiram para a instituição o seu "modus vivendi".

Não se passa um dia, sem que novas irregularidades venham à luz.

Não que o brasileiro saiba votar, o que é bem duvidoso.

Votam os esclarecidos nem sempre nos mais capacitados, mas consoante sua inclinação política, votam ao sabor da loquacidade de alguns ou da beleza de outros, votam por indicação e até mesmo pelo espírito de contradição.

Votam os ignorantes incultos e os pseudo alfabetizados, votam os viventes e votam os finados dentro dos feudos eleitorais do coronelismo, que alguns desinformados achavam não mais existir nestas plagas guaranis.

E nossos augustos deputados federais não deixam por menos. Lá em Brasília, o colunista da UOL Fernando Rodrigues(http://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/) menciona somente no ano de 2009 mais de 80 casos de desvios de conduta, entre a Câmara e o Senado, alguns de extrema gravidade, outros nem tanto se considerarmos não ser delito a malversação de dinheiro público, num país onde o salário mínimo não dá condições de vida à grande maioria do povo, onde segurança é piada e a saúde anda às moscas.

Vivemos numa situação esdrúxula, os produtos brasileiros no exterior custam quase a metade do que pagamos no Brasil, nosso custo de vida é altíssimo, os impostos exorbitantes, para que os poderes constituídos da República drenem numa orgia desenfreada, e cada vez mais, os recursos que deveriam se destinar à melhoria de vida do povo, à remuneração condigna dos trabalhadores à saúde e à segurança , conforme reza nossa constituição.

Ganha-se no legislativo e no Judiciário salários altíssimos que acrescidos de bônus, de ajudas de custo, de verbas nominadas e não nominadas, constituem um desrespeito ao minguado salário do trabalhador e especialmente do aposentado, aquele cujo labor profícuo durante décadas contribuiu para a grandeza da pátria, e vê no final da vida seus parcos ganhos diminuírem ano a ano.

Argumenta-se em sua defesa que votam excelentes projetos, que a eles competem votar o orçamento e a declaração de estado de beligerância...e etc e tal.. mas o que vemos é uma situação caótica onde ninguém se entende e onde governistas e oposição se digladiam Por cargos e vantagens, forçando o executivo a legislar por meio de medidas provisórias.

E sempre prejudiciais aos interesses do povo.

Nesse contexto, até o Banco Central legisla, ou você não é explorado no banco onde tem conta? Lembro-me de que nas décadas passadas os bancos disputavam os depósitos dos clientes, e semestralmente nos pagavam juros sobre o saldo médio de nossos depósitos.

Não havia taxa de manutenção nem cobravam sobre a emissão de talões de cheques.

Afinal eles trabalhavam com nosso dinheiro emprestando-o a juros altos, como fazem até hoje, e a única diferença é que parece que nos fazem um favor usando nosso dinheiro e nos cobrando por isso.

Mas, voltando ao nosso Legislativo, excessivamente subserviente ao executivo, vota, vota sim, mas projetos de lei, que freqüentemente nos envergonham e desapontam.

Nossas leis são tíbias e parecem feitas para a proteção de marginais em detrimento do cidadão honesto.

As punições que deveriam ser exemplares são leves, e diminuídas por uma série de benefícios, gerando uma sensação de impunidade, pois bandidos, que hoje se tornaram reeducandos, mesmo tendo praticado crimes hediondos, tem mais regalias e proteção do que os homens de bem que lutam para sustentar sua família a duras penas.

Mas se há divergência políticas e pessoais no legislativo, elas desaparecem quando se trata de aumentar o próprio salário.
O dos outros que se danem, principalmente o dos aposentados, cujo argumento principal é de que quebraria a previdência social. Ora, se levarmos em conta que salários mais altos gerarão mais consumo, e mais consumo gerará mais produção, e que conjugados gerarão mais empreendimentos e conseqüentemente mais empregos, com maior arrecadação de impostos e contribuições a previdência, então se torna patente o desinteresse na melhoria de vida do trabalhador.

Ora,´o trabalhador bem remunerado tem mais condições de se educar e de educar seus filhos tornando-se eleitores conscientes. Parece residir nessa tese o terror de nossos representantes.

E é disso que precisamos para dar através do voto, um basta a essa situação calamitosa de desgoverno porque passa nosso País.

Bem, mas e o Senado, será que faria falta?

domingo, 6 de setembro de 2009

CARANDIRU UM TERRÍVEL ENGANO


Frequentemente vem à baila o tema "CARANDIRU". e então dos quatro cantos do país, alteiam-se em uníssono as vozes indignadas e gritantes, de uns tantos quantos pretensos defensores da moral e dos bons costumes, a rugirem furibundos e, a exigirem em alto e bom som, a condenação, a execração pública e quiçá, se possível fora, a aniquilação sumária daqueles que a seu ver, foram os responsáveis pelo suposto massacre de Carandiru.

Polêmicas à parte, eu que pouco entendo de leis, como a grande maioria de nossos concidadãos, acho-me sinceramente confuso e perplexo a tentar compreender, o que realmente aconteceu naquele dia fatídico.
Rememorando, houve uma rebelião num presídio, com sequestro de pessoas, incêndios, vandalismo, destruição de patrimônio público, execução de reféns, baderna generalizada, franca e ostensiva desobediência à Lei e a Ordem, por prisioneiros drogados e armados.
E isso Senhores, não por cidadãos honestos, pais de família respeitadores da ordem, da moral e dos bons costumes.
Não havia ali nenhum cidadão de moral ilibada, apenas prisioneiros do Estado com penas a cumprir pelas delinquências praticadas.
Eram cidadãos cassados de seus direitos por infindável sequência de crimes, entre os quais se alinhavam: roubos, tráfico, estupros e assassinatos. Chamada que foi, a polícia nada mais fez que cumprir sua obrigação institucional. Impoz a Lei e a Ordem.
A violência foi necessária para conter a fúria criminosa, cuja repercussão soava aos olhos da população, não como um levante, mas como uma genuína manifestação de oprimidos pelo Poder, e sua influência já começava a se estender a outras instituições prisionais.
Seria o caos generalizado. É certo que prisioneiros sob a custódia do Estado devem ter sua integridade física garantida.
Mas é certo também que o cidadão comum e o cidadão policial, devem ser prioritariamente protegidos, pois ao contrário dos primeiros, são homens de bem, a exercerem tarefas dignas, no pleno desfrute de seus direitos justos e inalienáveis garantidos pela nossa Constituição.
São trabalhadores operosos, corretos e honrados pais de famílias.
Eis pois, o trágico panorama de uma época, na qual os representantes da Lei, ao tentar impô-la, foram execrados, caluniados, vilipendiados, por aqueles que longe do conflito, tendo suas peles a salvo, se ouriçaram em defesa de interesses escusos, alardeando o exagero da ação policial e sua monstruosa violência, alheados ao fato de que estes ao conter a rebelião, também tinham de defender suas próprias vidas.
Juizes e promotores, OAB´S, pastorais, ONG´S de variadas e suspeitas etiologias, e entidades afins, pretensos defensores dos direitos humanos, mais que depressa se manifestaram a favor dos meliantes mortos no conflito.
De nenhum deles, até hoje se tem notícia, de sua preocupação e de seu apoio aos cidadãos comuns, agredidos, violentados, assassinados, e a suas respectivas famílias, carentes, desamparadas e costumeiramente faveladas.
Em Carandiru chegou-se as raias do absurdo. O governador e o secretário de segurança, se eximiram de qualquer responsabilidade, preferindo atirá-la aos ombros de seus subordinados. Enlameou-se a honra e a memória de um militar digno e responsável.
Aviltou-se a imagem de toda uma corporação policial, cujo esmero no servir aos interesses da coletividade é público e notório, e alçou-se a categoria de mártires imolados no altar da pátria, á crápulas, bandidos e criminosos tombados no enfrentamento da Lei.
É humilhante saber que no Brasil se paga indenização por bandido morto, mas não se paga por chefe de família assassinado.
É humilhante saber que bandidos confinados em presídos, que não trabalham e nada de bom produzem, tem assistência médica, odontológica, mordomias, visitas íntimas, alimentação farta balanceada por nutricionistas, e tudo às custas do Estado, em contraposição ao cidadão honesto, que se mata para pagar impostos e taxas, que mal tem dinheiro para sobreviver e alimentar seus filhos, pobres, mal alimentados, doentes, a dependerem de serviços públicos humilhantes e de baixíssima qualidade.
Por tudo isso Senhores, exarando meu parecer, que julgo em consonância com todos os cidadãos de bem deste País, afianço de plena consciência: Carandiru não foi um massacre, foi um serviço meritório prestado a nação.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

DESCUIDO CELESTE

Criando Deus o universo,
Cheio de estrelas a brilhar,
Deixou que duas caissem,
Para a terra enfeitar.
E essas duas estrelinhas
Por milênios a vagar,
Nos teus olhos tão formosos,
É que foram se alojar.

ERVA DANINHA


No teu jardim vicejam esplendorosas flores,
De todos os matizes e feitios, a rescender olores.
E o mato que ali nasce, rasteiro e sem fragância,
Tu queres arrancar, com a maior constância.


Não vês e não percebes, que o belo na verdade,
É o conjunto, é o todo, é a bio-diversidade.
Não há planta má, não há planta boa,
São criaturas vivas com que Deus nos aquinhoa.


Se julgas alguém feio, talvez a realidade,
Com que outro te julga, seja a mesma verdade.
As plantas, os animais, e todos os seres humanos,
São expressões divinais dos insondáveis arcanos.


Por que arrancar o mato que fartamente cresce,
Que forra o chão que pisas e oxigênio te fornece?
Humilde e precioso, não precisa ser tratado.
Imerso no amor de Deus, floresce sem ser cuidado.

ATÉ QUANDO ?

Ah, se eleito eu fosse
Deputado federal,
Eu faria uma lei bacana,
Que aumentasse minha grana,
O que não me faria mal.
Pois o dinheiro é nosso,
E se toma-lo eu posso,
Por que deixa-lo mofando,
Guardado, deteriorando,
No Tesouro Nacional?
É preciso, pois, urgência,
Antes que seja usado,
Pra dar comida ao povo,
Saúde, educação.
Não podemos ter clemência,
Vamos nele passar a mão.
Pois o povo já vive bem.
Seu salário é grandão.
Imposto é muito maneiro,
E neste país até lixeiro,
Todo dia come pão,
Arroz, carne, feijão,
E se quiser até pode,
Viajar de avião.
Fazer turismo na Europa,
Conhecer todo o Japão.
Mas o deputado coitadinho,
Vive tão apertadinho,
Salário pequenininho,
Que mesmo com mensalão,
Mal dá para comprar
O caviar de cada dia
Champanhe francês,
Bacalhau dinamarquês
Carro novo todo ano,
E se tenta ganhar uns trocados,
Gritam sem cabimento
Que é superfaturamento,
É máfia das ambulâncias,
É anão do orçamento.
Que desalento.
E ainda por ousadia,
Tem gente insatisfeita,
Querendo, que grande mutreta,
Nossos direitos tirar.
Querem tirar jeton, extraordinário,
Verba de gabinete, 16º salário.
Querem tirar mordomia,
Querem tirar moradia,
Carro oficial, motorista,
E a parentela tá na lista
Dos que querem desempregar.
Como é duro ser deputado,
Neste País malfadado,.
Não falo daquele honesto,
Falo do mal intencionado,
Que gasta milhões pra ser eleito,
Mas à socapa dá jeito,
De o dinheiro recuperar,
Sem que a justiça lhe venha,
A vida infernizar.
Mas, melhor que ser deputado,
Cujo mandato é contado,
É ser Juiz de Direito,
Que não depende de pleito,
Não se elege, é nomeado,
Ministro, desembargador,
É vitalício e não barganha,
O alto salário que amanha.
E também põe na algibeira,
A mordomia costumeira,
Que a Lei permite abarcar.
E nós o povo, que fazemos,
Todo o trabalho , e sofremos,
Como burros a trabalhar,
Pra esse bando sustentar,
Até quando agüentaremos
Esta cangalha, se queremos
Ver a vida melhorar ?
Até quando Cidadão?
Até quando?

V E R S I N H O S

Venturoso é aquele que abriga,
No coração os ensinos de Jesus.
Na terra será sempre a mão amiga,
E ao chegar ao céu, será anjo de luz.


-x-x-x-


É doce, é suave, nos consola e acalma,
É o amor de Jesus refrigerando a alma,
De quem alimenta o bem e sem pretenção,
Vive na terra se doando a favor do irmão.


-x-x-x-


O coração de Deus é grande, é generoso,
E nele tem refúgio amoroso,
Até quem não lhe busca proteção.
Mas eu, peregrino a vagar ansioso,
Busco e não vejo o portal luminoso
Que me albergue no teu coração.

-x-x-x-

O SUPREMO E GILMAR

Veja meu ilustre povo
Deste Brasil colossal,
Na suprema magistratura,
Gilmar Mendes se aventura,
Em tiradas geniais.
Na eterna mediocridade,
Em que a toga se chafurda,
Só se preza a veleidade,
E farta modorra viceja
Nos antros dos tribunais.
Ali o direito se entorta,
E o torto se endireita,
Na sentença o que se denota,
É a verborragia perfeita
Que aos togados deleita.
Justiça a ninguém importa.
E o supremo na verdade,
Do bom-senso na contramão
Quer os bandidos bem livres,
De algemas e de prisão.
Supremo, meu Deus quanto mico,
Supremo que gente esperta,
Se prendem bandido rico,
Um hábeas corpus liberta.
E se escasseia o que soltar,
Solta bandido, solta ladrão,
Solta traficante e manda intimar,
A polícia honesta que fez a prisão.
Mas se o pobre vai em cana,
Por ter roubado banana,
Desista, que hábeas corpus,
No supremo é prá bacana.
E lá no recinto a figura airosa,
Do onipotente ministro,
Todo majestoso e prosa,
Ninguém o segura, ném Cristo.
Polícia prá ele é bandido,
Inteligência é pecado,
Mas a ele ninguém diz,
Que se um dia foi grampeado,
Talvez foi ordem de um juiz?
Por certo não vai a feira,
Ninguém o viu no mercado,
Será que ganha tão pouco,
Será que vive apertado?
Seu salário a ninguém mostra,
Será tão pobre o magistrado,
Que ostente ao final do mês,
Um holerite minguado?
Você que vive do mínimo,
Num esforço concentrado,
A ver se no fim do mês,
Lhe sobra um tostão furado.
Acaso já viu no bulixo,
Onde vive endividado,
O nosso pomposo ministro,
Pendurando seu fiado?
E na fila da saúde,
Onde dorme na calçada,
Vê se o ministro conhece,
A madrugada gelada.
Você operário faminto,
roto, esfarrapado,
Veja o terno do ministro,
Que corte tão alinhado.
No busão vais apertado,
Empurado, sem sentar,
Mas no carro do ministro,
O luxo é de se babar.
E o Ministro quer aumento,
Mas diz que é correção.
Valha-me Deus, esse aumento,
É vergonhoso excremento,
Na face humilde do povo,
Sofrido desta nação.
Se o mínimo sobe um tiquinho,
Já gritam em coro orquestrado,
Vai quebrar o orçamento,
Vai aumentar o consumo,
Vai abalar o mercado.
Se é o ministro quem pede,
O parlamento se excede,
Em mesuras e logo dão.
Verdade que também eles,
Vivem afoitos pelo ensejo,
De partilharem o bolão.
Mas nossa vingança meu povo,
Não é mera parvoice,
É ver do ministro, no rosto,
O seu imenso desgosto,
Pela soberba calvície.

NÃO SABES?

Por que finges ignorar que existo,
Sem dignar-se ao vate aqui notar?
Não sentes que teu ser é um infinito,
Marulhar de luzes, onde aflito,
Me sinto arrostar?


Queria te dizer neste momento,
Que são teus olhos o belo firmamento,
Onde me perco sedento a contemplar,
Miríades de sóis e estrelas lindas,
Que brilham sem cessar na noite infinda,
Onde anseio mergulhar.


Não sabes que teu corpo é um monumento,
Que eu contemplo com tanto sentimento,
Sozinho no meu canto a te fitar?

Que se pedires, movo céus e montes,
Vou às estrelas, rompo os horizontes,
Só para ver brilhando o teu olhar?

PENSAMENTO PATRIOTA

É noite, sentado em meu leito,
No recinto onde moro, cansado me ajeito,
Das duras lides do dia, eu quero repousar,
Não que esteja tão cansado, pois o labor não cansa,
É messe abençoada de paz e de bonança.

Mas o sono não vem, e fico a matutar,
Sobre os mistérios da vida, nesse curto caminhar,
Onde abundam desenganos, e o prazer dura pouco,
Onde o rude ignorante é sempre festejado,
E o sábio abnegado de louco é taxado.

Onde mais se aplaude aquele que mais rouba,
Que furtando com perícia,
Sempre ilude a polícia,
E escapando impune, leva fama de barão.
Mas, coitado do pobrezinho,
Miserável, comezinho,
Que furta pão, galinha e tostão,
Esse, apanha do povo enfurecido,
Pela guarda, é preso e escarnecido,
E é chamado de ladrão.

E nesse ar de podridão em que o país mergulha,
De ser brasileiro, já ninguém se orgulha.
É tanta falsidade, tanta corrupção,
Que é preciso procurar, de lanterna na mão,
Os brios que se perderam nessa via tortuosa,
Da politicagem abjeta, iníqua, sinuosa,
Que infelicita a Nação.

E se olhares ao redor, verás apenas,
O povo sem segurança vivendo a duras penas.
No tiroteio cruzado entre polícia e bandido,
O povo que tenta escapar, quase sempre é ferido.



E nesse País dos meus amores,
Alcatifado de flores,
Se esqueceram de dizer,
Que a podridão germina,
No lamaçal que domina
A sede louca do poder.

Pois o rico se fecha, encastelado,
Com segurança sempre escoltado,
Tem do Poder, amparo e proteção.
O pobre sempre mais espoliado,
Famélico, doente, estropiado,
Se arreia em tributos escorchantes
A sustentar mordomias exorbitantes,
Que empobrecem a Nação.

Ah, terra amada, idolatrada,
Que se faz preciso prá que seja consertada?
Não basta por em cana aquele que é ladrão,
É preciso dar ao povo segurança, instrução,
Exemplos de probidade, exemplos de retidão.
Ensinar ao jovem desde tenra idade,
A ter orgulho da brasilidade.
E fazendo do patriotismo o mais nobre ideal,
Cantar em todas as escolas nosso hino nacional.
E assim, moralizando nossas instituições,
Seremos dignificados no concerto das nações.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

M E D O

Eu tenho um medo.
Que brota da alma,
Eu tenho um medo
Que faz padecer.
Eu tenho um medo
Que nunca se acalma,
É medo que um dia
Te possa perder.
Se falo aos amigos,
Do medo que abrigo,
No peito, eu encontro
Quem diga de pronto,
Que não fica bem.
Pois homem não chora,
Jamais ele implora,
Nem mesmo deplora,
A perda de alguém.
Eu ouço calado,
E fico amuado,
Saindo apressado,
Sem poder falar:
Que o amor é ousadia,
É dor, é alegria,
E externa magia,
Até no chorar.
Sou homem, sou forte,
Pequeno no porte,
E não há quem reporte,
Que um dia tremi,
De angústia ou de medo,
No entanto é segredo,
Que de amor, muito cedo,
A chorar me escondi.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

CORAÇÃO GEOMÉTRICO

Um coração é um ponto solitário,
Em plano cartesiano imaginário,
Vagando triste em busca de seu par.
Se encontra outro ponto, surge a reta,
Dois corações unidos numa meta,
Se amando par a par.
No entanto, se outro ponto aparece,
E em trajetória dessa reta desce,
Cruzando velozmente sem parar,
Não trio amoroso, isto é insano,
Geometricamente forma apenas plano,
Criado para os pontos abrigar.
E nesta harmonia estabelecida,
Os pontos formam retas, em partida,
Prá juntos, bem alegres caminhar.
Figuras hiperbólicas vão se formando,
Cilindros, cones, cubos, e girando,
Lindas esferas, doidas a bailar.
Miríades de ângulos adjacentes,
Perpendiculares, medianas e tangentes,
Formam cascatas a revolutear.
E nesse volitar de entes geométricos,
Eu me encontro, simples ponto a buscar,
Nos espaços infinitos, quilométricos,
De todos os quadrantes paramétricos,
Um coração a quem eu possa amar.

PRÁ QUE SERVE O CELULAR

Prá se levar na bolsa,
Ou no bolso pendurado?
Prá se jogar "games"
E ficar viciado?
Prá mostrar aos amigos
Que é de última geração?
Dizer que custou bem caro.
Só não diz que é promoção,
Queima de estoque de loja,
Ou que comprou no saldão.
São tantas, tantas as coisas
A se fazer com o celular,
Jogos, mensagens, ver horas,
E até internet acessar,
Sem falar nas lindas fotos
Que a gente pode tirar.
Entretanto em meu juízo,
Pobre e sem muito siso,
Celular é prá se falar.
Falar da vida, dos amores,
Do tempo, das estações das flores,
Papear com os amigos,
Consolar as dores,
Os achaques, os dissabores,
E a vida alheia fuçar.
Mas aí fico pensando,
Por que falar sem parar,
Se o mais gostoso da vida,
É a gente poder escutar,
É se entregar sem receio,
A ouvir sem titubeio,
O anelo, o anseio,
Da voz que nos vem buscar.
A voz da amizade sincera,
A voz da paz, a voz austera,
Dos nossos maiorais,
a voz infantil,
Das nossas crianças
Em tom primaveril.
Voz a pedir compreensão,
Voz que transmite emoção,
Em vibração sutil de paz, de harmonia,
Voz de tristeza, voz de alegria,
A inspirar júbilo em ondas de fantasia...
Mas a voz que abala nosso peito,
Que nos deixa mudos e sem jeito,
É a voz do amor, que de sopetão,
Atinge as fibras mais profundas,
Do nosso Coração.

O QUE ESCREVO

Eu escrevo neste mundo,
Só buscando semear,
No solo fecundo das almas,
Idéias que sejam palmas,
De ouro a germinar.


Pois feliz é quem semeia,
Idéias de paz, de perdão.
Que ensina à juventude,
Que o amor é a plenitude,
Do sentimento cristão.


Inteligência, que brilha cheia
De possibilidades, não creia
Que a bem vá trabalhar.
No entanto se for aliada,
Da moral mais elevada,
Pode o progresso edificar.


O amor é sentimento sublime,
Que a alma humana redime,
Dos pecados ancestrais.
Ciúme é sentimento tresloucado,
É fruto do amor adoentado,
Que nos impele a dores abissais.


Egoísmo é amor obsessivo,
Que a ninguém é compassivo,
Pois tudo quer abarcar.
Seu oposto é o desprendimento,
É doar sem arrependimento,
O bem que nos vai sobrar.


E se queres ter na vida,
Momentos de paz, não olvida,
Dos ensinos do meigo Rabi:
Que a verdadeira religião,
Está no servir aos irmãos,
Que necessitam de ti.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

EGOISMO ILUSÃO

O problema desta vida,

É que a mesma é passageira.

Vai se escoando sempre,

Como a água da torneira.

Quando menos se espera,

Ela acaba e, com ela,

Vão-se as ilusões, os prazeres...

Pois a morte nos revela,

Que um dia tudo finda,

E que seremos julgados,

Pelo bem que tivermos feito,

E pelos males praticados.





Quanta gente existe agora,

Que dorme ébria , de dia,

Que em farras noturnas se extasia,

Jogando a saúde fora.

Que vive gozando a vida,

Sempre, sempre a imaginar

Que seu prazer é eterno,

Que nunca vai terminar.





Nunca olha para os lados,

Não percebe os infortunados,

Irmãos que em sofrimento,

Lhe ombreiam no caminhar,

Sem paz e sem alegria,

Sem o pão de cada dia,

Em prantos a mourejar.





Não quer tomar conhecimento,

Que existe fome, dores e tormento,

De corpo e alma na miséria que campeia.

Imerso em si mesmo não vê que a dor alheia,

É fruto do egoismo ignorante e dominador,

Do mal que sobrepuja a eterna lei do amor.





Não sabe que é ilusão a vida que ele leva,

Que não fazendo o bem só viverá em treva.

Que os prazeres terrenos são lastro que um dia,

O levarão em prantos à dor e à agonia.

Irmãos, irmãos sejamos desinteressados,

Vamos dar o que nos sobra aos irmãos necessitados.

Vamos estender a mão amiga e sem humilhação,

Doar-lhes com carinho, roupas, remédios e pão.





E para os aflitos d'alma, que buscam seguro porto,

Onde encontrar amparo, onde encontrar conforto,

Levemos a palavra serena, de paz e de compreensão,

Diminuindo mágoas e dando consolação.

Abandonando pois o egoismo que tanto nos seduz,

Haveremos de voltar aos braços de Jesus.

E o Divino Mestre, por certo, estreitará ao coração,

Aqueles que na terra amaram a seu irmão.

ANO NOVO ?

Se o dia amanhece,
O sol brilha forte.
Se a noite já desce,
A lua aparece,
E as mesmas estrelas,
Se põe a brilhar.
Na terra dos homens,
Uns nascem, uns morrem,
Felizes, ou sofrem,
Tormentos sem par.
No lago sereno,
No mar furioso,
No céu ora ameno,
Ou tempestuoso,
As aves, os peixes,
São os mesmos de antes.
Milênios chegaram
E nada mudaram.
Milênios virão
E nada trarão.
E a vida é a mesma.
Do homem a lesma,
Vem ano, vai ano,
Persiste o engano,
Pois tudo é ilusão.

É MARIA

Se o dia vem nascendo,
Lindo, lindo, a brilhar,
Um clarão no horizonte
Logo cedo fui notar.
Dizem uns é o sol que brilha,
Mas no fundo, oh maravilha,
Ninguém inda percebeu,
Que esta luz, quem o diria,
Vem dos olhos de Maria,
Lá do céu prá alumiar,
Toda a terra, o mundo inteiro,
Pois a mãe da humanidade,
Da mansão ao pardieiro,
Por nós, vela sem cessar.

sábado, 25 de julho de 2009

MINHAS CONVICÇÕES

.
Casualmente acessei o blog da UNA e tomei conhecimento de que era um site ateu, e que portanto negava peremptoriamente a existência de Deus. Estabeleci contacto para melhor conhecer suas idéias, e de nada adiantou alegar que a hipótese da existência de Deus também deveria ser considerada, e como nossos posicionamentos continuaram antagônicos, resolvi expor aqui meus pontos de vista, para que minhas convicções sejam conhecidas de todos quantos acessarem este blog.
Ao longo da minha vida (66 anos), sempre busquei o conhecimento tanto através dos livros quanto a frequencia aos templos onde se propalava serem o único e verdadeiro caminho da salvação.
Nasci em família católica, porém meus avós paternos eram maronitas e os maternos ortodoxos, e permaneci católico até os quarenta anos de idade. Nessa época era frequentador de missas e cerimônias, e foi quando comecei a ler a bíblia por recomendação de Frei Quirino da paróquia N. S. da Boa Morte. Como consequência passei a pensar. Não dizem ” conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” ?
Pois é, se antes eu considerava o livro como sagrado e de origem divina, passei a ter uma idéia diferente, pois ao lê-lo como leria qualquer outro livro, comecei a ver tanta contradiçao, tantos absurdos, tanta maldade, que sinceramente o primeiro impulso foi a sua completa rejeição.
Entretanto, tirando o seu caráter divino, resta-nos um livro de valor histórico, nem sempre fiel, mas que retrata em épocas diversas, civilizações passadas com suas culturas, hábitos e costumes.
Nas minhas pesquisas iavé, imprevisivel, egoista e neurótico era o deus cananeu da guerra, e isso se traduzia em sede de sangue e massacres contínuos, incompatibilizando-o de ser o Deus de Amor Bondade e misericórdia tão propalado pelas religiões que se fundamentam no referido livro.
Talvez essa ênfase seja uma tentativa de mostrar que aquele povo que se dizia escolhido, que tinha um único e verdadeiro deus, que pretendia ser o centro do mundo, vencedor de todas as batalhas contra todos os outros povos, era o escolhido de iavé para governar o planeta, centro do universo e escabelo desse deus.
Baldado intento, já que pesquisas históricas nos mostraram que a palestina daquele tempo nada mais era do que uma região habitada por povos pastoris incultos ignorantes e atrazados, e sua importância era insignificante no contexto das nações poderosas daquele tempo.

Na verdade constituia um estado tampão, uma terra de ninguém a separar as potencias guerreiras da época. Era atravessada ao bel prazer de egípcios, babilônios e hititas para se digladiarem.
Então o pouco que sobra da biblia tirando sua historicidade é o fato de que Jesus um insurgente palestino tenha inaugurado uma nova era para a humanidade, ao declarar que o verdadeiro deus, era diferente, e que o amor era o sentimento que deveria prevalecer no coração do homem. Que todos os homens são irmãos e que ninguem jamais havia visto a Deus, o que nos leva a crer que ele não é uma pessoa, mas uma energia criativa, poderosa e que ainda não temos condições de compreender.

Busquei outras religiões, seitas, fui esóterico, maçom e rosacruz.

Se tiver de escolher uma religião, serei espírita, pois foi a mais coerente com os ensinos de Jesus, totalmente embasada em seus evangelhos, muito embora tenham sido ao longo dos tempos modificados e distorcidos, e junto aos demais livros que compõe a biblia, são atualmente usados indiscriminadamente pelas religiões que se dizem cristãs para se enriquecerem a custa de seus adeptos, esquecidos de que a própria biblia nos indica o caminho correto. Ao ser indagado sobre qual religião era verdadeira, já naquela época o apóstolo Tiago disse:
A religião pura e imaculada para com Deus nosso Senhor é: socorrer os orfãos e as viúvas nas suas tribulações e abster-se de iniquidades. Por este motivo não frequento igrejas, mas cultivo no coração o sentimento do amor e procuro sempre que possível ser útil, fraterno e compreensível para com meu próximo, pois creio firmemente na existência dessa Força Poderosa que tudo criou, e sustenta com inimaginável perfeição, e que por falta de conhecimento denomino simplesmente Deus.
Creio na evolução das espécies e na reencarnação onde progredimos em espírito, e que a vida existe tanto neste planeta minúsculo onde moramos até os confins do universo nos seus incontilhões de galáxias, testemunhas mudas desse poder e que nas noites estreladas contemplamos extasiados.
Minha convicção é baseada no pressuposto de que o nada nada pode produzir, e se algo existe é por que alguem o produziu, e com tamanha perfeição, que não conseguimos entender o como e nem o porque e, nem as leis que regem o funcionamento quer da vida quer da matéria. Simplesmente não atinamos com o próposito da criação, não compreendemos a mecânica que rege o comportamento dos átomos e dos astros. Em suma quanto mais se avança em ciência e tecnologia, mais nos maravilhamos com as leis que regem o universo, e mais nos concientizamos que apenas arranhamos o limiar do conhecimento. Que um mundo infito do saber, ainda se encontra fora de nosso alcance.
Por tudo isso, impossível negar que todas estas maravilhas tenham sido obra de uma Força Divina, qualquer que seja sua denominação, e atribui-la simplesmente ao acaso, como querem os ateus.

terça-feira, 21 de julho de 2009

AO ANOITECER

Eis que nos chega a hora do repouso. E nesse abençoado instante em que a cabeça se inclina ao traveseiro, e a alma ascende aos páramos celestiais, nos encontramos a mercê do Senhor.
Que em sua infinita misericórdia, Ele nos estenda a mão, trazendo-nos paz, saúde, entendimento e serenidade, para que aceitemos sua soberana vontade, quando Pai Amoroso, não nos atende nas solicitações absurdas, mas somente naquelas necessárias ao nosso burilamento moral e progresso espiritual.

MARIA, MÃE DE JESUS

Desde pequenino, sempre tive uma queda especial pela Mãe de Jesus. Ensinaram-me que Ela também era nossa mãe, pois que tinha nos adotado aos pés da cruz. E assim a tardezinha ao findar do dia, quando os sinos das igrejas badalavam a hora do ângelus, parecia que um clima especial nos envolvia, e nos tornava cabisbaixos, ternos e meditativos. Então a gente dobrava os joelhos e cheios de unção, orávamos a Ave-Maria. Era um momento mágico, cuja lembrança sempre nos acompanhou pela vida afora, fazendo de nosso coração um pequeno santuário daquela a quem nos acostumamos recorrer, sobretudo nos momentos mais críticos de nossa jornada terrena. E a Ela, nossa Mãe Celestial dedico este simples poema, que intitulo:


PRECE À MARIA

A tarde que chega, suave, tristonha,
Mergulha noss'alma em doce langor.
Badalam os sinos um canto plangente,
Qual doce convite de orar ao Senhor.


Nest'hora serena, despido de pompas,
Suado, cansado das lides do dia,
Vergando os joelhos me entrego contente,
Rogando-te graças, Oh Virgem Maria.


Oh Mãe de bondade, Senhora clemente,
Que nos acolhestes por filhos amados,
Ouvi os lamentos dos que certamente,
A prantos e dores estão relegados.


Maria, Oh Senhora, sublime, ditosa,
Pois fostes na vida um anjo de Luz,
Dos céus e da terra, oh Mãe Generosa,
Conduze-nos todos aos pés de Jesus.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eis-me de volta ao meu pequeno espaço literário. Desta vez não a cantar o amor humano, nem a beleza da natureza, nem a falar da alma humana, de suas esperanças,de seus sucessos e de seus fracassos. Não. Hoje eu convido a todos, amigos e parentes, que costumeiramente leem meus modestos trabalhos, para genuflexos elevarmos, em forma de poema, ao SENHOR DOS MUNDOS, a nossa:

O R A Ç Ã O
Senhor, tu que és poder infinito,
Ouve Senhor o clamoroso grito,
Dos teus filhos, que na terra degredados,
São míseros cativos, deserdados
Nas enxovias, onde impera o sofrimento,
A fome, o abandono e os tormentos
Que dilaceram os corações.
Nas dores que destroem corpo e alma,
Somente teu poder ampara e acalma,
Eleva e conduz ao porto da bonança,
A humanidade, que com fé e esperança
De joelhos busca amparo e proteção.
Dai-nos Senhor, agora e eternamente,
Tua presença de amor luminescente.
Pai Amoroso, de bondade e de Luz,
Que a todos consolais tão docemente,
Permita que possamos humildemente,
Sermos na terra, Servos de Jesus

quarta-feira, 15 de julho de 2009

TRISTE DESTINO


Meu Deus, meu Deus, onde estou, me entristece,

Este lugar terrível em que a angústia cresce.

Por certo não é o céu, não vejo criaturas,

De trajes rutilantes, só prantos e amarguras.

Passam por mim espectros rotos, esfarrapados,

Sujos, disformes, famélicos, de olhos esgazeados.

Vagando sem destino nestas terras calcinadas,

Na tenebrosa dor das almas condenadas.

Brota do chão um fogo que causa ardência,

E fede mais que pútrida flatulência.

Eu sei que já morri, abala o meu juízo,

Não haver para os gays um belo paraíso,

Cheio de entendidos, de cornos e de putada,

Cheio de travestis e de toda a viadada.

Onde estou? Que horror, ninguém responde.

Ai! Quem me espeta o garfo no traseiro?

- Eu, Sodomeu, e vou assá-lo no braseiro.

Tostando devagarinho seria um prazer imenso,

Mas infelizmente ao contrário do que penso,

Vem do Alto a ordem que anula meu desejo,

A conceder-lhe o generoso e imerecido ensejo,

Da vida malsã e pecadora se arrepender.

E quem sabe, talvez um dia, qualquer dia,

Você possa, cheio de paz e alegria,

Remido pela benção do amor, na terra renascer.

Diz um rubro diabinho a sorrir todo feliz.

Não, não, por piedade me esclarece o que eu fiz?

- Ah, não sabe? Então escuta: o sodomita,

Mesmo que a lei humana permita,

Debocha das Leis de Deus, de tal sorte,

Que despenca no inferno logo depois da morte.

Não, eu tive boa fé, na terra fui iludido,

Havia leis protegendo e nada foi proibido.

Se errei, peço perdão, pois jamais pude entender,,

Que família é dom divino, é abrigo e bem querer,

Onde homem e mulher a viver em harmonia,

Criarão todos seus filhos com amor e alegria.

Mas, eu fiz do amor pecado toda minha preferência,

Que agora é tormento para minha consciência.

Ao me ver todos diziam: que prendado e belo moço,

Um escritor de talento, e das moças o alvoroço,

Mas se a vida transcorria em tranqüilo otimismo

Como pude despencar bem no fundo deste abismo?

Como pude ignorar que a sábia Lei Divina,

O homossexualismo humano , condena e abomina?

E a cada homenagem que me prestam lá na terra,

A lembrança me aflige e o remorso me aterra.

Transgressores como fui, não terão mais piedade,

E viverão em pranto e dor, pela longa eternidade....

Faz-se silêncio no Templo, o médium desincorpora

E pede a Deus que proteja este irmão, que agora,

arrependido, vem buscar dos homens a oração.

Para novo recomeço, sob as bençãos do Senhor,

que abomina o pecado, mas que ama o pecador.







segunda-feira, 13 de julho de 2009

A LUZ DO TEU OLHAR

Não sei se posso precisar corretamente, pois definir a luz do teu olhar, é trabalho árduo e de difícil concretização.

É preciso olhar-te frente a frente, e nesse olhar em que os olhos se miram, a alma se desnuda e se inebria, os sentimentos se conturbam, e o coração, pobre pássaro, magnetizado pelo brilho que emana do teu olhar, se enreda nas teias do desatino e, submisso, se abandona a poderosa força que o desarma, subjuga, e o torna infinitamente cativo.

Olhar-te nos olhos é perder-se num abismo de inefável gozo . É a precipitação consciente do coração ao inferno de todas as dores, ao mesmo tempo em que o eleva aos píncaros da glória. Não há como escapar desse fascínio.

Perder-se na luz dos olhos teus, é o sonho desejado de todas as horas, a primícia de noss'alma ao despertar dos primeiros albores do dia, quando este se inicia e avança, tornando mortos os instantes em que não se realiza.

A excelssitude do teu olhar é flama sagrada, na qual o ser se imola em ânsias de amor incontido, desfiando fibra por fibra o mais profundo de seu recôndito, e se entregando incondicionalmente à volúpia que enlanguece a alma inteira, mergulhada na fulgurante luz que emana de teus preciosos olhos.

Como então definir o que nos torna prisioneiros, pois ofuscada a razão e ébrio o coração, não se pode definir, apenas mergulhar profundamente neste abismo enlouquecedor e, lentamente fenecer de amor.

REFLEXÃO

Veja amada, como é belo,
O mundo ao nosso redor,
Num pensamento singelo,
Busco apenas o anelo,
De louvar o criador.



Veja que o sol tão brilhante,
Aquece a mata pujante,
Tão cheia de vida e cor.
O azul deste céu sereno,
E o perpassar bem ameno,
Da brisa em suave frescor,
Nos convida ao devaneio,
pois noss'alma sente anseio,
De buscar o Criador.


Da planície nas lonjuras,
Quer do monte nas alturas,
Ou no verde azul do mar.
No cismar, a criatura,
Sente bem forte a ventura,
De amar o Criador.


Nesta obra tão grandiosa,
Tão perfeita, harmoniosa,
Ninguém jamais duvidou,
Nenhuma dúvida persiste,
Que um Ser Supremo existe,
E todo o universo criou.


Quando te assentas a noite,
O céu estrelado a olhar,
Sob o luar tão distante,
Envolvente, fascinante,
Que nos convida a pensar.
Reflete que toda ventura,
Na vida ném sempre perdura,
Que nada podemos levar.


Não se esqueça que o trabalho,
A bem do irmão, é orvalho
De luz, a nos elevar.
Se tanto bem vens fazendo,
Amparando, protegendo,
Com tuas mãos operosas,
Creiam que exalam, atarefadas,
Mesmo estando fatigadas,
O doce aroma das rosas.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Biblia também é nossa fonte de inspiração. Em suas volumosas páginas desfilam personagens folclóricos de tempos que já cairam no esquecimento, sendo suas estrepolias tidas a guisa de santidade, e hoje contudo a recordar seu comportamento não podemos deixar de nos divertir, pois nada mudou. Os homens continuam os mesmos, sempre na busca de vantagens em relação ao sexo fraco. Qual é o homem de nossos dias que não gostaria de levar a vida de um Jacó? Então vamos homenagear nosso ilustre e lídimo antepassado, com um poema denominado:



SONETO PRÁ JACÓ

Sete anos de pastor Jacó servia,
Labão, pai de Raquel e pai de Lia,
Espertamente diz que só Raquel queria,
Mas prontamente aceitou também a Lia.


E assim Jacó astuto se casou com Lia,
E por mais sete anos maquinando diabruras,
Juntou-se com Raquel e prá completa bigamia,
Faturou também as escravas delas duas.


Ah Jacó ladino, patriarca esperto,
Retrato de um tempo em que era certo,
Ter um gordo mulherio para sua usança.


Quanta gente hoje te inveja a hipocrisia,
E sonha cobiçosa pela doce fantasia,
De ter um rico harem pr'uma boa festança.

domingo, 28 de junho de 2009

AMOR E AMIZADE

Duas flores brotam no jardim do coração, lindas, perfumadas encantadoras.
Crescem unidas e juntas desabrocham, espalhando ao redor as fragrâncias mais extasiantes e, maravilhando aos que tem a felicidade de as perceber e sentir.
Seus nomes: Amor e Amizade
Sentimentos distintos que se completam na sua essência e, que apenas unidos preenchem sua finalidade divina.
Separados perdem sua magnificência e passam a externar apenas negatividade.
Pretender que haja amizade sem amor é sobrepor aos sentimentos altruistas os frios e sórdidos interesses mundanos.
Já o amor sem a amizade é paixão desenfreada, cuja fúria aniquila a virtude e despedaça corações.
Unidos são flama divina.
Duas flores inigualáveis plantadas pelo Eterno em nossos corações, cujo resplendor iluminará nossos caminhos rumo à felicidade de bem saber cumprir nesta vida os desígnios do Senhor.

terça-feira, 9 de junho de 2009

MEU CANTO LITERÁRIO

Este é meu canto, meu recanto, refúgio onde se encontram meus versos e meus poemas, minhas alegrias e minhas tristezas. Aqui é onde a alma se deleita aos acordes rítmicos do poema e o coração se extasia na melódica sinfonia da criação literária. Chamam-me poeta, mas como, se ser poeta é vibrar em sintonia com as estrelas, externando n'alma a grandiosidade divina a se manifestar em altiloquentes estrofes, cuja beleza métrica transcende minhas modestas e escassas possibilidades?

Mas afinal o que é ser poeta?

SER POETA

Tu me chamas de poeta,
Não sei se tu tens razão,
Pois que nesta vida incerta,
De tantos enganos repleta,
ser poeta é ilusão.
Sei que não sabes querida,
Mas te direi que na vida
Ser poeta é ter na alma,
Uma dor que não se acalma,
É cismar sozinho e triste,
Vivendo da dor que insiste,
Em sangrar seu coração.
No sonho impossível persiste,
Em torturante agonia,
Esperando o amor, que um dia,
Venha trazer-lhe, se existe,
A doce consolação.
Tem o poeta por lema,
Cantar sempre, qualquer tema.
Canta a vida, a paz, a guerra,
Canta o céu, a lua, a terra,
Canta a abelha, canta a flor,
Canta a própria natureza,
Tudo ama sem temor.
Prá ele tudo é motivo,
E sofrimento é eletivo
Para cantar sua dor.
E dor de poeta, menina,
Não existe o que defina,
É infindo amargar.
É viver sempre sorrindo,
Mesmo em dor se consumindo,
Num eterno disfarçar.
É sonhar em ter plausível,
O seu sonho impossível,
De poder realizar.
Imaginando verdades,
Não quer a realidade,
Apenas fantasiar.
Ah, ser poeta é ver o belo,
Sentindo sempre o anelo,
De flores de luz colocar,
Nos caminhos de sua amada,
Para tornar sua jornada,
Um suave caminhar.