Eu tenho um pranto,
Que rola dos olhos,
Que brota das mágoas,
Do meu coração.
Sou náuta perdido,
Atirado aos escolhos,
Que afunda nas águas,
Da desolação.
Não vês, não indagas,
Do amor de outrora,
Que em todas as horas,
Foi teu prá valer.
A ti pouco importa,
Se clamo, se choro,
Se busco, se imploro,
Sem pejo se eu córo,
Por teu bem-querer.
Sofri, não o nego,
O amor que albergo,
No peito, arrenego,
Pois faz padecer,
Infindo tormento,
De dor, sofrimento,
Que tira o alento,
Até de viver.
Os olhos molhados,
Dos prantos rolados,
O peito arreado,
De tanta paixão.
Me sobe à garganta,
Que o pranto aquebranta,
Um berro que espanta,
De dor, de aflição.
Horror dos horrores,
Nos meus estertores,
Não tenho favores,
Amigos, irmãos.
Ninguém me consola,
E a vida me imola,
Sequér por esmola,
Me dão compaixão.
Se queres que eu morra,
Não temas, não sofra,
Que alguém me socorra,
Não quero viver.
Sem ter teu carinho,
Sem ter-te em meu ninho,
Só resta um caminho:
De amor, perecer.
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