domingo, 6 de setembro de 2009
CARANDIRU UM TERRÍVEL ENGANO
Frequentemente vem à baila o tema "CARANDIRU". e então dos quatro cantos do país, alteiam-se em uníssono as vozes indignadas e gritantes, de uns tantos quantos pretensos defensores da moral e dos bons costumes, a rugirem furibundos e, a exigirem em alto e bom som, a condenação, a execração pública e quiçá, se possível fora, a aniquilação sumária daqueles que a seu ver, foram os responsáveis pelo suposto massacre de Carandiru.
Polêmicas à parte, eu que pouco entendo de leis, como a grande maioria de nossos concidadãos, acho-me sinceramente confuso e perplexo a tentar compreender, o que realmente aconteceu naquele dia fatídico.
Rememorando, houve uma rebelião num presídio, com sequestro de pessoas, incêndios, vandalismo, destruição de patrimônio público, execução de reféns, baderna generalizada, franca e ostensiva desobediência à Lei e a Ordem, por prisioneiros drogados e armados.
E isso Senhores, não por cidadãos honestos, pais de família respeitadores da ordem, da moral e dos bons costumes.
Não havia ali nenhum cidadão de moral ilibada, apenas prisioneiros do Estado com penas a cumprir pelas delinquências praticadas.
Eram cidadãos cassados de seus direitos por infindável sequência de crimes, entre os quais se alinhavam: roubos, tráfico, estupros e assassinatos. Chamada que foi, a polícia nada mais fez que cumprir sua obrigação institucional. Impoz a Lei e a Ordem.
A violência foi necessária para conter a fúria criminosa, cuja repercussão soava aos olhos da população, não como um levante, mas como uma genuína manifestação de oprimidos pelo Poder, e sua influência já começava a se estender a outras instituições prisionais.
Seria o caos generalizado. É certo que prisioneiros sob a custódia do Estado devem ter sua integridade física garantida.
Mas é certo também que o cidadão comum e o cidadão policial, devem ser prioritariamente protegidos, pois ao contrário dos primeiros, são homens de bem, a exercerem tarefas dignas, no pleno desfrute de seus direitos justos e inalienáveis garantidos pela nossa Constituição.
São trabalhadores operosos, corretos e honrados pais de famílias.
Eis pois, o trágico panorama de uma época, na qual os representantes da Lei, ao tentar impô-la, foram execrados, caluniados, vilipendiados, por aqueles que longe do conflito, tendo suas peles a salvo, se ouriçaram em defesa de interesses escusos, alardeando o exagero da ação policial e sua monstruosa violência, alheados ao fato de que estes ao conter a rebelião, também tinham de defender suas próprias vidas.
Juizes e promotores, OAB´S, pastorais, ONG´S de variadas e suspeitas etiologias, e entidades afins, pretensos defensores dos direitos humanos, mais que depressa se manifestaram a favor dos meliantes mortos no conflito.
De nenhum deles, até hoje se tem notícia, de sua preocupação e de seu apoio aos cidadãos comuns, agredidos, violentados, assassinados, e a suas respectivas famílias, carentes, desamparadas e costumeiramente faveladas.
Em Carandiru chegou-se as raias do absurdo. O governador e o secretário de segurança, se eximiram de qualquer responsabilidade, preferindo atirá-la aos ombros de seus subordinados. Enlameou-se a honra e a memória de um militar digno e responsável.
Aviltou-se a imagem de toda uma corporação policial, cujo esmero no servir aos interesses da coletividade é público e notório, e alçou-se a categoria de mártires imolados no altar da pátria, á crápulas, bandidos e criminosos tombados no enfrentamento da Lei.
É humilhante saber que no Brasil se paga indenização por bandido morto, mas não se paga por chefe de família assassinado.
É humilhante saber que bandidos confinados em presídos, que não trabalham e nada de bom produzem, tem assistência médica, odontológica, mordomias, visitas íntimas, alimentação farta balanceada por nutricionistas, e tudo às custas do Estado, em contraposição ao cidadão honesto, que se mata para pagar impostos e taxas, que mal tem dinheiro para sobreviver e alimentar seus filhos, pobres, mal alimentados, doentes, a dependerem de serviços públicos humilhantes e de baixíssima qualidade.
Por tudo isso Senhores, exarando meu parecer, que julgo em consonância com todos os cidadãos de bem deste País, afianço de plena consciência: Carandiru não foi um massacre, foi um serviço meritório prestado a nação.
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