quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O SUPREMO E GILMAR

Veja meu ilustre povo
Deste Brasil colossal,
Na suprema magistratura,
Gilmar Mendes se aventura,
Em tiradas geniais.
Na eterna mediocridade,
Em que a toga se chafurda,
Só se preza a veleidade,
E farta modorra viceja
Nos antros dos tribunais.
Ali o direito se entorta,
E o torto se endireita,
Na sentença o que se denota,
É a verborragia perfeita
Que aos togados deleita.
Justiça a ninguém importa.
E o supremo na verdade,
Do bom-senso na contramão
Quer os bandidos bem livres,
De algemas e de prisão.
Supremo, meu Deus quanto mico,
Supremo que gente esperta,
Se prendem bandido rico,
Um hábeas corpus liberta.
E se escasseia o que soltar,
Solta bandido, solta ladrão,
Solta traficante e manda intimar,
A polícia honesta que fez a prisão.
Mas se o pobre vai em cana,
Por ter roubado banana,
Desista, que hábeas corpus,
No supremo é prá bacana.
E lá no recinto a figura airosa,
Do onipotente ministro,
Todo majestoso e prosa,
Ninguém o segura, ném Cristo.
Polícia prá ele é bandido,
Inteligência é pecado,
Mas a ele ninguém diz,
Que se um dia foi grampeado,
Talvez foi ordem de um juiz?
Por certo não vai a feira,
Ninguém o viu no mercado,
Será que ganha tão pouco,
Será que vive apertado?
Seu salário a ninguém mostra,
Será tão pobre o magistrado,
Que ostente ao final do mês,
Um holerite minguado?
Você que vive do mínimo,
Num esforço concentrado,
A ver se no fim do mês,
Lhe sobra um tostão furado.
Acaso já viu no bulixo,
Onde vive endividado,
O nosso pomposo ministro,
Pendurando seu fiado?
E na fila da saúde,
Onde dorme na calçada,
Vê se o ministro conhece,
A madrugada gelada.
Você operário faminto,
roto, esfarrapado,
Veja o terno do ministro,
Que corte tão alinhado.
No busão vais apertado,
Empurado, sem sentar,
Mas no carro do ministro,
O luxo é de se babar.
E o Ministro quer aumento,
Mas diz que é correção.
Valha-me Deus, esse aumento,
É vergonhoso excremento,
Na face humilde do povo,
Sofrido desta nação.
Se o mínimo sobe um tiquinho,
Já gritam em coro orquestrado,
Vai quebrar o orçamento,
Vai aumentar o consumo,
Vai abalar o mercado.
Se é o ministro quem pede,
O parlamento se excede,
Em mesuras e logo dão.
Verdade que também eles,
Vivem afoitos pelo ensejo,
De partilharem o bolão.
Mas nossa vingança meu povo,
Não é mera parvoice,
É ver do ministro, no rosto,
O seu imenso desgosto,
Pela soberba calvície.

Nenhum comentário:

Postar um comentário