A vida é indefinida e vaga,
Obscura, ínfima, estúpida ação,
A vida é ingente, é fruto d'uma rasga,
Estéril de emoção, sinistra confusão.
A vida é um rastejar de vermes,
Em corpos podres pela essência humana,
A vida é mito surto de imberbes,
É podridão gerada em mente insana.
Assim eu já pensava, desvairado,
Num assomo de fúria reprimida,
E furibundo esbravejava contra a vida,
Por nela tanto engano ter provado.
Sofri, chorei em dores de agonia,
Mas pude perceber que o sofrimento,
De amor frustrado, dura um só momento,
E vai se esvaindo um pouco a cada dia.
E nessa efemericidade que é o sentimento,
Se surge um novo amor a coisa muda,
Onde era mal, somente o bem transuda,
E o coração sorri alegremente.
Quanto erro, desengano, quanto espinho,
Noss'alma acolhe assim e, irrefletida,
Transforma o bem em mal, culpando a vida,
pelas desditas que buscou em seu caminho.
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